quarta-feira, 14 de junho de 2017

Escravos do Sistema- Part II

Cresceram a lutar e a defender-se um ao outro, mas as coisas nunca deram sinal de melhoras. Nos seus vinte e poucos anos de vida já não era possível contar as dificuldades que tinham passado. Já tinham tentado de tudo, ou melhor quase tudo para melhorar de vida. Os seus trabalhos foram quase sempre em condições precárias e às vezes nem dava para pagar as contas. Chegaram a trabalhar apenas em troca de uma refeição. Tentaram por várias vezes criar um negócio próprio, mas nunca foram bem-sucedidos e as coisas tornaram-se mais difíceis depois da passagem de ambos pela cadeia, e no caso de Juan já algumas vezes.
Os pais emigraram quando Javier tinha apenas oito e deixaram-no ao cuidado do Juan, apenas três anos mais velho. No início ainda os pais davam notícias e mandavam um dinheirinho no fim do mês, e se por uma ou outra vez o dinheiro demorasse a chegar, haveria sempre um tio, uma vizinha, ou até mesmo as pessoas da igreja que ajudavam de alguma forma. Com o passar do tempo o dinheiro demorava cada vez mais a chegar e as ajudas tornaram-se mais escassas até que um dia já não havia nem o dinheiro nem as ajudas. Juan viu- se obrigado a desistir da escola para ajudar o irmão mais novo e para pagar as contas e, ou, dívidas. O seu maior objectivo era que o irmão continuasse a estudar, pois sabia que era preciso “o papel”, pelo menos um diploma, para se ser alguém. Porém, o irmão mais novo também acabou por desistir da escola.
O Javier já tinha notado algumas incoerências nas histórias que o estrangeiro contava. Mas não estava muito interessado em as apontar, a não ser para o irmão, afinal a única que se consegue ao apontar um desonesto é ir parar a cadeia. Entretanto, o Juan mesmo concordando com o irmão mais novo estava tão desanimando e sem saída que convenceu o irmão que única solução que tinham era aceitar a proposta do estrangeiro, que resolverem chamar de Sr. Múltiplas por parecer que tinha múltiplas identidades e já que era quase certo que Smith não era o seu nome. O Sr. Múltiplas dissera que os iria ajudar a melhorar de vida, só que tinham que ir para um outro lugar. Juan estava convencido que tinham a vantagem de perceber que ele não muito coerente e que ele o irmão estariam sempre juntos, em todo o caso, dois contra um.
To be continued...

Paula Ribeiro

terça-feira, 6 de junho de 2017

Escravos do Sistema - Part I


Nenhum dos dois irmãos alguma vez cometera crimes graves. Mesmo tendo passado a fome que passaram, nunca chegaram a roubar. Chegaram a trabalhar muitas vezes com fome como distribuidores de comida e mercadoria, mas mesmo assim esperavam sempre pela hora certa. Foram parar a cadeia basicamente, um por ferver em pouca água e, ou, por ter sangue quente e o outro por ter boca grande.
O Juan era o que fervia em pouca água. Andava em brigas com os vendedores de drogas que tentavam influenciar o irmão mais novo, o Javier. Até partiu nariz a um deputado que quis pagar ao irmão para que tentasse conquistar a filha do adversário a fim de o ajudar. Aliás, foi por causa desse episódio que passou três meses na cadeia e o irmão acabou por juntar-se a ele. Antes deste episódio o Juan já tinha no seu histórico policial algumas noites e dois dias seguidos na cadeia, mas o Javier só fora à cadeia para o ir buscar, consciente de que tinha sido por o ter defendido da forma como normalmente resolvia as coisas, à pancada, que o irmão estava na cadeia. O Javier foi parar à cadeia porque começou a acusar publicamente os polícias e todos que trabalhavam no sistema judicial de corruptos. Quando viu que não tinham planos para deixar o irmão sair da cadeia. Começou a dizer, em voz alta, que estavam a ser todos pagos pelo deputado que lhe ofereceu dinheiro e só porque ele e o irmão não aceitaram, o irmão estava preso. Por isso, alguém o mandou prender. Prenderam-no por ser boca grande e passou duas semanas com o irmão, que já estava prestes a fazer três meses e acabaram por sair juntos.
Aparentemente manter os dois presos poderia prejudicar na campanha política, por isso foram libertos. E assim saíram para uma situação ainda pior. Já ninguém lhes dava trabalho e nem os queriam por perto. A única pessoa que ao que parecia não se importava, às vezes até era amigo dos dois, era um estrangeiro que não se sabia ao certo de onde tinha vindo. 

To be continued...

Paula Ribeiro

quarta-feira, 31 de maio de 2017

De admiração à desilusão


Admiração não é propriamente um sentimento que se tem para com todas as pessoas à nossa volta. Se calhar nem sempre há uma razão lógica para se admirar uma pessoa. Poucas vezes nos questionamos por que admirar uma pessoa e não a outra, isto porque, aparentemente, vivemos bem tanto o facto de admirar uns como o facto de não admirar outros.
A situação muda quando esta mesma pessoa passa de um patamar de uma admirada para um displicente ou seja quando a nossa consideração para com uma pessoa passa de 80 para 8 (ou 80 para 0).
Quando o nosso admirador ou a nossa admiradora nos consegue desiludir profundamente ficamos divididos. Por um lado, sentimos tentados a achar que a pessoa em questão é uma “má pessoa” que conseguiu até nos iludir a admirá-la. Por outro lado, sentimo-nos um “palerma” por nos deixarmos iludir e admirar esta pessoa.

Paula Ribeiro

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Olá



Sei que muitas coisas mudaram na nossa vida...

Sei que a distância que nos separa hoje não é apenas uma linha e um monte, mas sim um oceano, no entanto ainda assim, às vezes imagino-te a ligar-me e dizer "vou apanhar o último comboio, chego a tua casa daqui a pouco”.

Bem sei que já não posso ligar-te muito tarde para não acordar os meninos, e nem podemos falar muito para não incomodar a pessoa ao teu lado, mas ainda sim de vez em quando apanho o telefone para te ligar sem pensar na hora.

Também sei que já não faz sentido dormimos na mesma cama ou no mesmo quarto. O pior é que já nem há “espaço”, mas finjo que não percebo que já não há “espaço”.

É óbvio que já não estou aí, aliás nem tu estás aí, mas quero que me mandes mensagem a pedir para ir ter contigo. Ou então que me peças para te abrir a porta.

Sei que muitas coisas mudaram, mas isto não significa que não preciso de ti, que não tenho saudades tuas.

Paula Ribeiro

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Vida, curta e Preciosa


A vida é demasiado curta e muito preciosa para dedicarmos às pessoas e às coisas que de nada nos valem. Porém, o facto de uma pessoa, uma coisa não ser importante na nossa vida, não significa que não têm importância e nem significa que somos melhores ou que fazemos melhores. Essas coisas acontecem, às vezes, simplesmente por uma questão de “incompatibilidade vivencial” (porque não gostamos disso ou porque elas fazem assim). Admitindo ou não, todos nós por vezes nos cruzamos com algumas pessoas de quem não gostamos e elas mesmas por vezes “nos obrigam” a enfrentar/ultrapassar muitas coisas das quais também não gostamos. Se for uma pessoa ou uma coisa “normal” o problema provavelmente é nosso. Sendo assim, porque desperdiçar o precioso tempo e dedicar as pessoas e as coisas sem importância para nós?

Paula Ribeiro

domingo, 16 de abril de 2017

Morabeza [Cabo Verde]


Qualidade de quem é amável, delicado, gentil. = AFABILIDADE, AMABILIDADE, GENTILEZA

 https://www.priberam.pt/dlpo/morabeza [consultado em 16-04-2017].

Morabeza i um palavra k ta defini um povo/país nandé k mudjer k kulpad pamode alguém panha si fotos íntimos poi na facebook. Si culpa i tão rije k oto alguém ta viola de privacidade, ta desrespeital i ta trai si confiança ma ela k kulpad pamode al ka tem direit i liberdad pal faze fot di si propr corpo.

Morabeza ta defini um povo/país nandé k mudjer i menores de 14 anos (Katorzinha), ou seja nandé k menores ta ser violado ku aprovasan di tud sociedade. Ku propr menores ta sta tud basofas pamod es i Katorzinha, i por isso ta concorré kem k ta marca mas posição.

Enfim keli k ta defini um país nandé k moda k ta pega i violência seja ela Kassubody, divulgasan di fotos íntimos, violasan de menores.

Da ta ku pensa!



Paula Ribeiro

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Vivi a plenitude



😁
Espero ter a oportunidade de pelo menos brincar com os meus netos, no entanto, se morresse hoje, morreria sem arrependimentos.
Vivi a minha vida. Fui e sou feliz. Sou amada e tive a sorte de nascer e viver rodeada de pessoas que me amam (alguns até incondicionalmente). Amei e sofri. Aprendi que por uma pessoa nos magoar não significa que não merecemos ser amados por uma outra. Errei muito, magoei as pessoas que quem gosto muito. Fui perdoada e esqueci muitas mágoas. Aprendi com muitos erros, o que não significa que nunca repeti um erro. Ainda sim, vivo para apreender sem errar. Vi o sol a nascer. Tomei o banho de chuva. Ri até chorar, sozinha, com a minha mãe e com as minhas irmãs. Chorei por coisas banais e suprimi algumas lágrimas mesmo quando achei que era impossível aguentar. Vivi sob o céu mais estrelado do mundo (ninguém me convence, mesmo com prova, de que existe um outro mais estrelado) e cantei para a lua. Chorei de tantas saudades na esperança de que vai passar e não passou. Sonhei e sonhei muito alto e mesmo tendo de desistir de alguns sonhos, ainda acredito e batalho por muitos. 
Quando disse vivi a minha vida, quis dizer, vivo os dias que tenho o prazer de viver na sua plenitude e sempre com sede de viver muito mais e já agora “com mais plenitude”.


Paula Ribeiro