terça-feira, 3 de novembro de 2015

Afinal, os cabo-verdianos são africanos!?


Parece que, agora, “ser africano” é a nova tendência até para os próprios africanos.
Se calhar para ser quem se é nem é preciso que haja uma tendência / ou uma corrente. No entanto, ao que parece alguns cabo-verdianos “hipocritamente” só agora descobriram que afinal ser africano é fixe e que continuar a ser explorado (“escravo”) pelos europeus é ser estúpido.
Acho que a escravatura é um assunto sério e pessoalmente não acredito que haja um ser “normal”, seja um branco ou um preto, um asiático ou um americano, do pólo norte ou do pólo sul que se orgulha da escravatura seja ela da escravatura da Roma antiga, escravatura em África ou de outra escravatura qualquer. No entanto, não é preciso viver muito para se perceber que o facto de não se orgulhar do passado não significa que este pode ser apagado ou mudado. Por isso, por mais que se escrevam novas histórias, o povo cabo-verdiano continuará a ser um povo ou um país que resultou da escravatura (“filhos da escrava que foi violada pelo seu dono”, conforme me disse alguém), a não ser que história esteja mal contada.
Em relação a ser africano acho que um cabo-verdiano não precisa “encontrar semelhança” com seichelense ou um marroquino nem “abandonar a mania que o português é sua língua“ (coisas que tenho ouvido) para se dar conta que é africano.
Acho que a confusão reside numa palavra primitiva “valorização”. Ser cabo-verdiano não deveria, não deve e nunca deverá ter que ver com ser mais (melhor) do que “os africanos da costa ocidental”, considerados todos “mandjacos”, ou pior do que os europeus…
Faz todo sentido cada um conhecer a sua história e valorizar a sua cultura, no entanto, pelo que me foi ensinado, ninguém consegue valorizar-se se não respeitar os outros. Se não respeitar a diferença que se vê nos outros e aceitar a igualdade que existe entre todos nós.


Paula Ribeiro