terça-feira, 6 de junho de 2017

Escravos do Sistema - Part I


Nenhum dos dois irmãos alguma vez cometera crimes graves. Mesmo tendo passado a fome que passaram, nunca chegaram a roubar. Chegaram a trabalhar muitas vezes com fome como distribuidores de comida e mercadoria, mas mesmo assim esperavam sempre pela hora certa. Foram parar a cadeia basicamente, um por ferver em pouca água e, ou, por ter sangue quente e o outro por ter boca grande.
O Juan era o que fervia em pouca água. Andava em brigas com os vendedores de drogas que tentavam influenciar o irmão mais novo, o Javier. Até partiu nariz a um deputado que quis pagar ao irmão para que tentasse conquistar a filha do adversário a fim de o ajudar. Aliás, foi por causa desse episódio que passou três meses na cadeia e o irmão acabou por juntar-se a ele. Antes deste episódio o Juan já tinha no seu histórico policial algumas noites e dois dias seguidos na cadeia, mas o Javier só fora à cadeia para o ir buscar, consciente de que tinha sido por o ter defendido da forma como normalmente resolvia as coisas, à pancada, que o irmão estava na cadeia. O Javier foi parar à cadeia porque começou a acusar publicamente os polícias e todos que trabalhavam no sistema judicial de corruptos. Quando viu que não tinham planos para deixar o irmão sair da cadeia. Começou a dizer, em voz alta, que estavam a ser todos pagos pelo deputado que lhe ofereceu dinheiro e só porque ele e o irmão não aceitaram, o irmão estava preso. Por isso, alguém o mandou prender. Prenderam-no por ser boca grande e passou duas semanas com o irmão, que já estava prestes a fazer três meses e acabaram por sair juntos.
Aparentemente manter os dois presos poderia prejudicar na campanha política, por isso foram libertos. E assim saíram para uma situação ainda pior. Já ninguém lhes dava trabalho e nem os queriam por perto. A única pessoa que ao que parecia não se importava, às vezes até era amigo dos dois, era um estrangeiro que não se sabia ao certo de onde tinha vindo. 

To be continued...

Paula Ribeiro